23 de Maio de 2018
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Paulistano produz documentário sobre Ranchinho e a pintura da alma de Assis

Bruno Mota exibirá documentário "Procura-se Ranchinho” no dia 25 de maio, na Câmara Municipal

O jovem Bruno Mota não é especialista em produções cinematográficas, mas com uma ideia na cabeça e a câmera na mão, ele foi em busca do seu desejo de produzir um documentário sobre o artista assisense Ranchinho.

Graduado em Psicologia pela UNESP de Assis, Bruno conseguiu reunir 18 depoimentos e montar um grande mosaico sobre esse artista tão importante, não apenas para o município, mas para as artes de maneira geral. Intitulado "Procura-se Ranchinho”, o documentário será exibido em Assis no dia 25 de maio, sexta-feira, na Câmara Municipal.

"A ideia do documentário surgiu em 2015, quando eu ainda estava em Assis fazendo faculdade. Não tinha nenhum conhecimento técnico de como produzir um documentário, mas contei com o apoio de alguns professores da TV Unesp, que me deram noções de como manusear os equipamentos, editar, além de conseguir emprestada uma câmera e um tripé. A partir daí comecei a filmar o documentário e me aprofundar nisso à medida em que as filmagens aconteciam. As imagens ganharam forma e vigor profissional durante os meus trabalhos de campo”, afirma.

Segundo Bruno, o documentário partiu de um desejo pessoal e não teve vínculo acadêmico obrigatório.

"O trabalho não teve um vínculo acadêmico rígido, como atividade obrigatória da graduação, mas sim um desejo pessoal meu, de forma autônoma e independente. Contei com o apoio do professor Eduardo Galhardo e sua equipe da TV Unesp de Assis, bem como da professora Gisele Gonçalves Melles de Oliveira, que abriu as portas para mim em reuniões aconchegantes, nas quais conversamos muito sobre questões estéticas, roteiro e outras instruções que me ajudaram ao longo do caminho”, salienta.

A ideia foi, através da memória de pessoas que conviveram com Ranchinho, mostrar um panorama do artista.

"Inicialmente eu pensei em conversar com pessoas que poderiam ter obras do Ranchinho e tiveram contato com ele em vida. Ele entregava quadros aleatoriamente para pessoas que ele conhecia e que estão espalhados não apenas em Assis, mas em outras cidades também. Ao longo do projeto, o documentário acabou indo para outros caminhos e se tornou um grande mosaico de memórias e pessoas. Consegui reconstruir o Ranchinho por meio das vozes de cada um dos entrevistados e em três eixos principais, que é a história pessoal do artista, a Arte e a Psicologia”, explica.

Bruno acredita que Ranchinho está no imaginário coletivo assisense e era um personagem muito peculiar.

"Eu conversei com pessoas que têm conhecimento técnico da arte produzida por ele, como curadores e críticos; pessoas que conheceram ele ao longo da vida, assim como pessoas que tiveram contato pelo viés mais psicológico. O Ranchinho está na memória coletiva de Assis e é um personagem peculiar, porque há relatos de pessoas que ora detestavam ele, ora amavam. Ele era conhecido como o homem do velório, por exemplo, e isso ajuda a reconstruir esse personagem tão importante. Afinal, ele era um artista espontâneo, com uma arte espontânea e que passou por muitas dificuldades”, salienta.

A história de Ranchinho se aproxima da história da avó de Bruno, algo que mexe bastante com ele e que torna o documentário ainda mais rico.

"Eu sou paulistano e a minha família também é da capital. Eu me interesso muito por arte e inclusive desenho abstrações. Minha avó, Maria Lizete Correia também pinta quadros e nós fizemos uma exposição conjunta no Museu de Arte Primitiva de Assis, no começo de 2017. Ela é uma grande inspiração para mim porque é artista plástica e passou por muitas dificuldades, assim como o Ranchinho, como discriminação e marginalização. Foi muito significativa a exposição porque é como se o próprio Ranchinho estive nos recebendo na morada que guarda os quadros dele. Digo isso por recordar que, na abertura da exposição, havia na entrada do museu uma série de quadros do Ranchinho, uma imagem que me deixou bastante emocionado. É a presença mística de uma figura que passei três anos registrando os mais diversos relatos sobre ele”, acrescenta.

A filmagem do documentário exigiu de Bruno sentimentos aflorados e muita disposição física.

"Eu não tive nenhum apoio financeiro para a produção do documentário. Eu andava pela cidade com a câmera na mão e tentei me colocar no lugar dele por algumas vezes, filmando paisagens, cenários, situações cotidianas e que estão presentes na obra do Ranchinho. Espontaneamente dialoguei com os quadros dele e a maneira como ele registrava Assis. Às vezes passava 40 minutos filmando alguma situação, como o pôr do sol, que se tornaram 4 ou 5 segundos no documentário. É um trabalho que nos envolve psicologicamente e exigiu da minha disponibilidade em estar nos lugares, mas a paixão que tenho por ele e pela arte fizeram com que tudo valesse a pena”, salienta.

O documentário "Procura-se Ranchinho” será exibido gratuitamente na Câmara Municipal de Assis no dia 25 deste mês, sexta-feira. Bruno acredita que esse é um presente dele para o município.

"Eu atualmente moro em Seropedica, no Rio de Janeiro, onde faço mestrado. Muitos estudantes, quando vão para outras cidades fazer faculdade, acabam só passando e nem sempre se envolvendo com o espaço onde estão. Eu tentei deixar um presente para Assis desta figura tão emblemática e espero que o público goste”, conclui.

Confira o trailer do documentário:




Bruno Mota é o idealizador do documentário Procura-se Ranchinho


Bruno durante as gravações do documentário


Documentário será exibido no dia 25 de maio, em Assis


Redação AssisCity/ Fotos: Divulgação
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