20 de Agosto de 2018
17º/33º
ENTRETENIMENTO » COLUNISTAS

Fascinate leitura

COLUNISTA - Isabella Nucci

Tenho ego narcisista porque já desamei-me demais, detestei a mim mesma como se minh’alma tivesse partido para bem longe do meu corpo. Olhava-me no espelho e sentia vergonha daquele reflexo morto. Sim, na doença eu estava tirando minha vida diante de todos que me amam e, quando o milagre aconteceu, uma auto-estima altamente elevada tomou conta de meu ser... Comecei a cantar e a inventar ritmos. Minha escrita superou a si própria. Parece até que adquirí superpoderes... Pois coisas que eu nem lembrava que estudei agora são aplicadas nos meus artigos. Lembranças, sonhos lúcidos, inconsciente coletivo etc me afetam e me encantam atualmente. Mudei pra valer. Mas penso que o certo é dizer que meu espírito voltou do inferno mais fortalecido simplesmente.

Então, galera... Postei estes relatos no meu Facebook por um só motivo: a implacável guerra que depois de um longo tempo eu venci na luta e no esforço para superar a adicção. Pra quem não sabe, o termo se refere à indivíduos compulsivos, seja pelas drogas ou pelo álcool. É qualquer manifesto intruso que se dá em demasia e prejudica não somente o adicto - mas todos aqueles que estão a sua volta. Eu achava isso tão normal que vivia a consumir constantemente falsas realidades. Estas eram embotadas por felicidade intensa e prazer imediato. Demorou pra minha ficha cair tanto quanto também demorou para eu me livrar das grades internas do meu ser. Era uma condenada por mim mesma. Era tida como refugiada há longos anos da família e várias internações violentas não bastaram - apenas me deixaram traumatizada e ainda com mais impulsos negativos.

Certo dia estava eu tão dopada que, ao deitar em minha cama, acredito que desmaiei ou bati as botas mesmo durante uma questão de segundos. Logo em seguida notei um vulto branco, de contornos humanos, a sair de meu corpo. Até hoje penso que fora minha alma que partiu. Obviamente há uma explicação mais sensata para este evento. No entanto, dispenso todos os dogmas da ciência e enfatizo novamente: fora minha alma ou meu espírito que, a partir daquele instante, começou a vagar perdidamente pelo mundo. Além de meu semblante vegetativo, um vazio imenso tomava conta de mim após aquele dia. Sentia que faltava algo - algo que não conseguira explicar - mas hoje tenho minha própria tese e os espíritas podem analisá-la coerentemente.

Hoje tudo está bem e, de vez em quando, meu espírito decide passear e farrear pelos inúmeros lugares deste universo. Não, isto não é brincadeira. Sonhos de alta lucidez já me levaram até meus antepassados e me foram apresentadas várias cartas. Enquanto um ser misterioso as lia para mim, sentimentos de ira e prazer se alternavam em meu coração. Mas o ser misterioso me explicou que aquelas cartas foram escritas por gente que já viveu comigo - em outra vida - é claro. Por isso os sentimentos meus oscilavam. De certa forma, neste sonho, eu deveras senti que todas aquelas pessoas eu conhecia perante intensas emoções enquanto os manuscritos eram lidos. E graças a Deus todas elas estavam orgulhosas e felizes por eu ter superado a morte.

Pois bem, caríssimos, sei que tudo isso soa como loucura, viagem, insensatez. Mas Nietzsche já disse: "quando se olha muito para o abismo, o abismo olha para você”. Interpreto seus dizeres da maneira como as minhas crenças reagem. Ora! - ao se passar quase uma vida inteira a encarar bem de perto a morte, acredito eu que a própria morte nos encara. Detalhe: não somente nos encara. Mas passa a nos vigiar como em meus sonhos. Morrer talvez seja indizível e ninguém, após ter saído felizmente d’um coma, consegue tornar inteligíveis ou passivos de sentidos os eventos que lhe ocorreram antes de seu despertar novamente para a vida. Mas uma coisa eu creio com toda firmeza: indivíduos que já morreram e depois ressuscitaram nunca mais são os mesmos após terem visto aquela "brilhante luz no túnel”. Talvez eu já tenha morrido ou tivesse uma overdose da qual não me lembro e a mesma levou-me até o outro lado. Isto pode ter ocorrido justamente naquele dia em que apaguei na cama. Será?

Senhoras e senhores: paciência! - Tudo isso aqui são experiências extrassensoriais - não fatos que vivi comprovados cientificamente. Os sonhos "reais”, os "superpoderes” e o ego atribuído a uma auto-estima super elevada podem ser ainda efeitos dos alucinógenos. Ou não! Depende muito do ponto de vista e da ótica analítica de cada um. Tem gente que ama o mundo espiritual. Tem gente que o detesta. Mas uma coisa é fato: "detestamos somente ao que desconhecemos”. Eu pelo menos conheço vários caminhos, varias portas universais pelas quais transcendo na psicografia de meus poemas. Mas isto é assunto que a gente evita falar. A sociedade ainda é preconceituosa e só a mente das pessoas já é difamatória o bastante. Não é mesmo? Portanto, esqueçam o que eu falei anteriormente! Deletem! Apaguem de tuas memórias! Mas se preferirem, compreendam ou se nem isso, atribuam tal loucura minha a uma fascinante leitura. É isso.

Isabella Nucci💫 - Poeta, jornalista e compositora
+ VEJA TAMBÉM