20 de Junho de 2019
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Jardins

COLUNISTA - Elda Jabur

Herdamos de minha mãe o fascínio pelas plantas. Por onde ela passou deixou jardins de flores e árvores frutíferas. A gérbera era sua flor preferida. Temos em nossa memória as suas lindas cores e o formato de pétalas tão delicadas. Os quintais sempre foram repletos de árvores frutíferas variadas: romã, manga, pitanga, goiabeira, abacate, acerola, limão, uvaia, parreiras de uvas, etc.

Infelizmente isso não faz parte da cultura brasileira.

Muitos passam a vida inteira sem observar a maravilha do desabrochar de uma rosa. A decadência econômica da população provoca um certo desalento. A característica da maioria das cidades são calçadas esburacadas e o musgo vai tomando conta das paredes das residências. Elas só recebem uma mão de tinta quando são construídas.

Só para relembrar.

Quando meu pai foi prefeito, colocou jardins onde havia atoleiro de barro. Inédito para a época, foi acrescentado um pequeno lago com lindas carpas coloridas. Cada canto da cidade recebeu uma pequena praça. Pouco tempo antes de deixar o mandato remodelou a praça matriz, colocando ali uma maravilhosa fonte com música e jatos de água iluminados. Infelizmente teve pouco tempo de vida.

Há pouco tempo recebemos o depoimento de uma moradora, ele está gravado. Até hoje ela mora ao lado do grupão e lembra-se da construção da calçada. Como todas as suas obras, eram vistoriadas pessoalmente por ele. Estão deterioradas, mas resistem ao tempo.

O prefeito das praças.

Meu irmão recebeu essa denominação. Também teve a mesma preocupação do meu pai. A cidade foi totalmente embelezada. Infelizmente poucos prefeitos preocupam-se com praças. São elas que dão vida às cidades.

O velho mundo, a Europa, é muito diferente.

Na primavera as cidades ressurgem cheias de flores. Os postes recebem uma decoração especial. As flores são magníficas. Eles acompanham o leito dos rios e a noite nos transmite uma aura mística. As rosas são muito grandes, como trepadeiras que se entrelaçam em suportes. As cores são belíssimas.

Os jardins de Cranboune- Austrália.

Pude ouvir o depoimento de vários apaixonados pela arte da jardinagem. Eles se aproveitaram de uma área considerada quase estéril. Transformaram o local em vários mini jardins planejados. AS pessoas sentem muito prazer ao passear naquele local. Uma biodiversidade de plantas foram colocadas.

No local existia uma antiga mina de areia.

Ele foi aterrado e recebeu uma areia vermelha brilhante. Ali colocaram pisos de concretos, com formato de meia lua e círculos prateados interligados e com plantas.

Foram buscar inspiração nos jardins japoneses.

Esse povo milenar, por morar em uma ilha, sempre soube valorizar todos os pedaços de terra. A técnica do bonsai é conhecida mundialmente. A aliança entre as experiências australianas e japonesas foi fundamental.

A ponte lilipady.

Passa por um lago de lírios. Disse um especialista "A água é uma espécie de jornada metafórica. Nesse local puseram duas mil espécies de árvores. Eles assumem riscos e experiências. As flores surgem com muita energia.

O "Jardim Botânico”.

Recebeu um tipo de árvore totalmente diferente. Em cima do caule, bem grosso, os arbustos são como grandes gramíneas. Elas são resistentes ao fogo. As flores lembram chifres de animais torneados, de marrom avermelhado.

A característica do jardim é a sua excentricidade.

As cicadáceas são espécies Originais. Os paisagistas perguntam”...como tratamos as plantas desde que surgimos no planeta? Particularmente considero a espécie humana totalmente predatória. O que importa é o lucro.

As wolenias são fascinantes. São como todas, fontes de energia imperceptíveis. Tiveram a preocupação em demonstrar o lado lúdico que um jardim pode nos oferecer.

Desenvolveram vários microclimas.

Par isso utilizaram-se de diversos tipos de pedras. Elas oferecem mais ou menos calor, de acordo com o que as plantas necessitam. Assim como as plantas, sou apaixonada pelos diversos tipos de pedras.

Um naturalista afirmou:

"O centro do jardim grita: entra em mim. Dizem que sensação é como estar na Lua ou em Marte.

No centro do labirinto existe uma árvore garrafa. Ela representa a longevidade e a paz.

Aqui, nossa triste realidade.

Muros altos e com cerca elétrica são colocados. Somente para combater a violência, que só pode ser transformada através da educação. O pior, um povo sem educação e sem cultura é um povo fadado ao subdesenvolvimento.

Eles concluem dizendo: "Um jardim é como uma jornada sem fim”.

Sim, eles nos remetem ao Deus de nosso coração. Tem o poder de regenerar nossas forças e pensamentos positivos.

Assim seja.

Elda Cecília Bolfarini Jabur
Elda Jabur
é professora de História formada peLa Unesp de Assis. Trabalhou no Sesi e no Estado até aposentar-se. Há muito tempo dedica-se a escrever para jornais, faz óleo sobre tela e pertence à Ordem Rosacruz - AMORC há mais de 30 anos. Reside na Cidade de Cândido Mota/SP.
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