21 de Fevereiro de 2020
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O planeta azul e o conto do vigário

* Por Luis Alberto Sanches

A preservação do meio ambiente é um dos assuntos de maior importância na sociedade contemporânea. A poluição dos rios, mares, ar, os desmatamentos, a redução da camada de ozônio, o aquecimento global e a extinção de espécies animais são alguns dos itens que estão na pauta do dia. São preocupações do nosso tempo e estão ligadas à sobrevivência da raça humana no planeta.

O Apocalipse, cheio de simbolismos, visões e revelações, nos fala sobre o Novo Céu e a Nova Terra, e descreve um belo e maravilhoso cenário. Mas, ainda estamos no bom, velho e desfigurado planeta azul e, à medida que a questão ambiental se torna premente, nós, cristãos, somos mais e mais desafiados a dar bons exemplos no cuidado com o meio ambiente. Vamos cuidar bem do nosso planeta, que também é a casa de todos nós. Você conhece alguém que mora na lua? É verdade que existe gente com fé meio "lunática" e alienada, divorciada da Bíblia e da vida, mas isso é outra coisa...

Vale lembrar que o ser humano foi colocado por Deus, no Jardim do Éden, como administrador da criação, para cuidar da natureza. (Gn. 2:15). Vamos praticar a educação ambiental. Cuidar do meio ambiente de ser, para nós, cristãos, um compromisso de vida. Precisamos ter uma visão holística, integral, que relacione o homem, a natureza e o universo criado por Deus. Isso também é uma questão de fé e de cidadania inteligente e responsável. Para nós, cristãos, a defesa do meio ambiente não é uma questão política ou utilitária; é uma ordenança bíblica. A missão dada a Adão também é nossa! Temos um compromisso com a sustentabilidade pois, " Ao SENHOR pertence a terra e tudo o que nela se contém, o mundo e os que nele habitam". (Sl 24:1).

O tema nos leva a refletir sobre um dos assuntos polêmicos do momento, o uso das sacolinhas plásticas, eleitas "inimigas" do meio ambiente. Elas foram retiradas de muitos supermercados e agora temos que pagar por sacolas reutilizáveis. O saco de lixo, com a retirada das sacolinhas, aumentou em 100% o seu valor. E a dinheiro que vai sobrar (200 milhões por ano segundo dados do Jornal Folha de São Paulo) com a retirada das sacolinhas? Será doado a uma instituição de caridade ou entidade que preserva o meio ambiente? Ou vai ficar no bolso dos supermercadistas? E o bolso do consumidor, como fica? E tem mais! Enquanto compramos sacolas biodegradáveis para ajudar o meio ambiente, as empresas e industrias continuam produzindo e distribuindo seus produtos de plástico, sem qualquer constrangimento. E mais! E as industrias e empresas poluidoras? E o lixo industrial? O perigo é simplificar o problema ambiental, reduzi-lo a "sacolinha plástica" e colocar o cidadão como o grande responsável pelo problema. É o fim da picada! Os mercados gastam menos e você gasta mais. Somos todos a favor do meio ambiente, mas precisamos ficar atentos. O Código de Defesa do Consumidor diz que os estabelecimentos são obrigados a oferecer aos clientes alternativas gratuitas às sacolas plásticas, para que possam finalizar as suas compras de forma adequada. Pesquisa aponta que 69% da população é contra o banimento das sacolas. Quatro em cada dez entrevistados já desistiram de fazer compras por não dispor de sacolas para o transporte. A maioria da população reclama do problema criado. Esse é o maior "conto do vigário" dos últimos tempos!
Reverendo Luís Alberto Sanches

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