10 de Dezembro de 2019
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Da exceção à regra

Pesquisa realizada pela Crescimentum Consultoria, Folha, de outubro de 2017, diz: "Corrupção define o Brasil, mas não o brasileiro!". A maioria dos entrevistados se autorretratam como uma pessoa: amiga, alegre e honesta. No entanto, definem o Brasil como um país corrupto. Será que, realmente, são tão honestos como dizem?

Provavelmente, muitos destes ditos honestos, cairiam nas tentações que sucumbiram políticos pelo Brasil afora. Por exemplo, há canais no YouTube focados em experiências sociais: atores abordam o cidadão na rua com propostas pra lá de imorais. Ao receber a primeira negativa, oferecem quantias gradativas em dinheiro para que a pessoa abordada faça aquilo que a princípio diz, em hipótese nenhuma, fazer. E pelo valor certo, faz!

Honestidade pode até ser de berço, todavia, é algo que se desenvolve na prática, com repetição e esforço; é como um músculo fortalecido com disciplina e persistência. Quem se esforça para resistir aos impulsos que satisfazem a carne e ferem de morte a alma, com o tempo, desenvolverá uma estrutura peculiar no cérebro que dificilmente será subjugada. Trata-se da consciência, que, após condicionada, se afrontada, causa: desconforto, ansiedade, mal estar, insônia e dores no corpo. Literalmente, quem age contra seus princípios, perde a paz e, com o tempo, a saúde!

Este foi o tipo de incômodo que fez o estagiário Mateus de Santa Catarina repensar suas atitudes (Fantástico, 31 de dezembro de 2017). Segundo ele, ao colidir na lateral de um carro de luxo, o primeiro impulso, foi fugir. Tirar vantagem! Afinal, ninguém estava por perto. Contudo, o desconforto com tal pensamento - a dor na consciência - o levou a escrever um bilhete com pedido de desculpas, colocando-se à disposição para ressarcir os prejuízos.

Mateus, agora de consciência limpa, foi surpreendido com a repercussão da sua história. A direção da faculdade de Direito da região, sensibilizada com atitude de Mateus, resolveu lhe presentear com uma bolsa de estudos integral. O proprietário do Porsche? Perdoou a dívida e hoje são amigos. Diante de tantos casos de corrupção, pessoas como o Mateus parecem ser exceção. No entanto, precisamos nos manter esperançosos nas mudanças no nosso país. Afinal, nós somos o Brasil!

Portanto, resta-nos ser exemplo daquilo que cobramos dos outros. E, desejar que novos "Mateus" surjam na sociedade, pessoas orientadas pelo mais eficaz mecanismo de fiscalização: a própria consciência. Quem sabe, desta forma, a exceção de hoje, com tempo, se torne a regra, principalmente na consciência daqueles que nos representam na política brasileira.

Walter Roque Gonçalves
Walter Roque Gonçalves é consultor de empresas , professor executivo/colunista da FGV/ABS (FGV/América Business School) de Presidente Prudente
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