31 de Outubro de 2020
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Alta do desemprego empurra demitidos para o negócio próprio

O aumento do desemprego tem provocado uma espécie de migração em massa de trabalhadores em todo o País. Segundo o IBGE, na comparação do segundo trimestre de 2014 com igual período deste ano, cerca de um milhão de pessoas que perderam a ocupação com carteira assinada passaram a fazer bicos ou montar negócios próprios, o que equivale a uma alta de 4,7% no indicador.

Esse contingente de demitidos viu no trabalho autônomo a tábua de salvação para obter renda, já que a recolocação nos moldes anteriores ganhou um grau extra de dificuldade no ambiente de deterioração econômica atual do Brasil. Em julho, a taxa de desemprego nas seis principais regiões metropolitanas do País atingiu 7,5%. Foi sétimo aumento seguido e representa o maior índice desde março de 2010. Na análise apenas dos meses de julho, é a taxa mais alta desde 2009, de 8%.

Não há nenhum problema em escolher trabalhar por conta própria, não fossem as circunstâncias em que isso vem ocorrendo. Em boa parte dos casos, este aspirante a empresário não está preparado. A iniciativa surge do desespero e sem planejamento. Claro que quem monta uma empresa nessas condições pode ser bem-sucedido, porém, também é óbvio que terá muito mais dificuldade.
Provavelmente, esse sujeito vai aplicar todas as suas economias e a verba da rescisão contratual recém-recebida. Dada tal realidade, é crucial o novo empreendedor ter o mínimo de calma para pensar no assunto e tomar algumas providências; melhor demorar um pouco mais para colocar a mão na massa do que precipitar-se, fazer um mau investimento e viver uma experiência frustrante e traumática.

Para dar o passo inicial, é aconselhável escolher um ramo com o qual tem afinidade e conhecimento. Depois, é preciso checar a viabilidade da ideia. Quais são os custos? Há mercado? Quem são os concorrentes? Qual a perspectiva de lucro? Quem é o público-alvo? Quais os riscos? Quais as oportunidades?

Um ponto chave para qualquer negócio é ter um diferencial. É o que faz a empresa se destacar e o consumidor optar por gastar seu dinheiro neste ou naquele estabelecimento.
Todo cuidado com as finanças é pouco. O empreendedor, mesmo sendo novato, deve saber o que é fluxo de caixa, ter capital de giro para se manter até o empreendimento começar a dar retorno, além de possuir uma reserva para gastos adicionais.

É fundamental buscar informação e qualificação. Cursos, palestras, consultorias, leituras, participação em feiras de negócios, tudo é válido para adquirir conhecimento e implementá-lo no dia a dia da empresa. Quanto mais capacitação, maior a possibilidade de acertar.
Lógico que o universo empreendedor vai muito além; é um aprendizado constante. Mas evitar erros básicos é o princípio para uma trajetória de conquistas.


Bruno Caetano é diretor superintendente do Sebrae-SP

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