01 de Dezembro de 2020
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Curiosidades entre a peste negra e o coronavírus

COLUNISTA - Elda Jabur

Durante este período, o grande conquistador árabe, o Khan Jani Beg, movido por extrema ganância, fez um cerco à colônia de Caffa, em Gênova. A peste estava no auge. Os sitiantes foram contaminados antes de se retirarem. Eles catapultaram os cadáveres infectados para o interior das muralhas. Na cidade morreram tantos que eram queimados em piras. Não havia mão-de-obra para enterrá-los. O grande Cã, faleceu logo após, em 1457.

Uma das maiores dificuldades: a sepultura.

A terra junto às igrejas era considerada sagrada e já não era suficiente para tantos mortos. Daí surgiram os cemitérios.

Hoje ,vemos os romanos enterrarem seus mortos longe da capital. As famílias não podem velar seus parentes. Nos EUA o Trunp determinou que os mortos sejam jogados em valas comuns, sem nenhuma identificação.

Durante a peste negra, a melhor arma era o isolamento, assim como deve ser hoje, após tantos séculos .Os mais abastados deixavam as cidades e iam para o campo.

Para evitar o contágio.

Devam praticar a castidade, não ficar em lugares abertos , e manter as casas limpas, o que não era hábito.

Relacionavam e doença a castigos de Deus. A história mostra como isso veio depois a manifestar-se contra os supostos feiticeiros e bruxa. Infelizmente crenças que perduram em nossos dias e fazem parte do inconsciente coletivo. Basta verificar quanto preconceito

de igualdade de todos perante a morte.

Predominava a incerteza do amanhã. Ocorreu uma crise voltada contra a igreja, pois as preces não eram atendidas. Disse Bocaccio:” Os homens se evitavam e os parentes eram distanciados. Irmãos eram esquecidos, marido pela mulher e até pais e mães abandonavam os filhos...”.

A atmosfera era opressora existe entre as pessoas por causa da religião.

Estabelece-se uma cultura da morte.

Isso gerou um sentimento, espetáculo de desolação e cenário apocalíptico.

Conseguimos enxergar algumas semelhanças com a atual pandemia?

Num dos contos muitos interessantes: "A Máscara da Morte Vermelha”.

Os cortesão de um príncipe , reclusos durante alguns meses, comem, bebem fartamente e se divertem com espetáculos. Num certo baile de máscaras, aparece no meio do salão "uma figura escarlate, a Morte em pessoa”

O que está acontecendo na maioria das nossas cidades?

As pessoas estão em férias forçadas e passam o dia bebendo nos bares, sem nenhum isolamento social. As regras impostas pelas autoridades da saúde são ignoradas.

Bocaccio descreve as festas referidas como "um lugar não real e limitado a um grupo social privilegiado”.

Hoje, estamos vendo uma febre generalizada de boas ações.

Bilionários estão abrindo os cofres e distribuindo dinheiro. Coisa nunca vista antes. Será a vontade de garantir um pedacinho no céu como acontecia com a compra de indulgências dos membros da igreja no início da Idade Moderna?

Ou o medo que a doença se espalhe diante da miséria de milhões de brasileiros?

Tomara esse surto de generosidade perdure e não exista mais fome em nenhum lugar da terra.

Que sejamos verdadeiramente iguais: brancos, negros, índios e amarelos.

Que todo tipo de preconceito desapareça definitivamente.

Que todos os bens produzidos sejam distribuídos de forma igualitária.

Que todos tenham casa decente, com a infra estrutura necessária.

Que haja cultura e estudo para todos.

Que a natureza seja finalmente respeitada.

Nunca houve algo como agora.

O mundo teve que parar para toda a humanidade refletir e mudar seus padrões de comportamento.

O nosso planeta é azul, lindo, único e maravilhoso.

Saudemos a todos, à água, o céu, as estrelas , os pássaros , todas as plantas e os animais.

Assim seja.

COLUNISTA - Elda Jabur
Elda Jabur
é professora de História formada peLa Unesp de Assis. Trabalhou no Sesi e no Estado até aposentar-se. Há muito tempo dedica-se a escrever para jornais, faz óleo sobre tela e pertence à Ordem Rosacruz - AMORC há mais de 30 anos. Reside na Cidade de Cândido Mota/SP.
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