26 de Maio de 2020
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Fake news, boatos e a instalação do pânico

COLUNISTA - Arildo Almeida

A todo minuto, somos bombardeados de informações. As fontes são diversas. Com o advento da internet e das redes sociais, essas fontes se multiplicaram, mas nem sempre são informação; em muitos casos são de desinformação, porque espalham notícias falsas – as famosas fake news. E o maior proliferador de fake news é o WhatsApp. Nos dias de hoje, quem é que não faz parte de um grupo que tem aquele amigo ou aquela tia que mandam várias notícias por dia? Mas, será que todas são verdadeiras?

Uma pesquisa do curso de Gestão de Políticas Públicas da USP identificou que o WhatsApp é a principal rede social usada para divulgar notícias falsas e são os grupos de família que mais fazem isso. A pesquisa mostra que 51% de informações repassadas no aplicativo são em grupos de família; o restante vem dos grupos de amigos, de colegas de trabalho e por mensagens individuais. O problema não é só a divulgação dessas fake news, mas o que elas causam.

Notícias mentirosas não são um problema da atualidade. Na Idade Média, por exemplo, Joana D’Arc e muitas outras mulheres foram acusadas de bruxaria e queimadas vivas por isso. Em 1937, o chefe do Estado-Maior do Exército brasileiro, general Góes Monteiro, usou o programa de rádio A Hora do Brasil para divulgar o Plano Cohen, arquitetado por comunistas para derrubar o presidente Getúlio Vargas. Era mentira para justificar a permanência de Vargas no poder; dias depois, iniciou-se o Estado Novo. Em 2014, uma mulher foi linchada, no Guarujá, depois de ser acusada de sequestrar crianças para realizar rituais satânicos; era mais um boato espalhado por rede social. Mais recentemente, doenças que estavam erradicadas em nosso país e no mundo voltaram a surgir, como o sarampo. Isso acontece porque, apesar dos números inegáveis que mostram a eficácia e a importância das vacinas, grupos alegam, sem nenhum dado científico, que elas não são seguras e difundem a informação.

Agora estamos vivendo uma crise mundial, uma crise de saúde, a pandemia do coronavírus. E as fake news só contribuem para outra pandemia: a do pânico. Máscaras e álcool em gel sumiram das prateleiras de antes mesmo do primeiro caso confirmado no Brasil. As notícias falsas compartilhadas nas redes sociais prejudicam a batalha contra o poderoso vírus, além de gerar mais pânico na população. Se uma pessoa diz, no grupo WhatsApp, que "o vizinho do tio do amigo dela tem a covid-19, mas a Secretaria de Saúde local está escondendo”, essa informação se espalha rapidamente, no mesmo dia, em questão de horas. E aí começam os problemas, porque a "notícia” gera pânico na população, que, sem saber como agir, começa estocar comida, remédio, água e outras coisas. Se temos mercados desabastecidos e hospitais lotados sem real necessidade, temos um problema causado pelo pânico e não pelo vírus. Coronavírus é, sim, é uma situação grave, e sim, merece toda nossa vigilância e atenção.

Todos nós precisamos ficar atentos e não replicar informações falsas; geralmente elas chegam fazendo grande alarde e pedindo para que sejam compartilhadas rapidamente. Vamos fazer o exercício de procurar sempre fontes oficiais. Afinal, temos que ser responsáveis pelo que postamos e também pelo que encaminhamos.


Bom dia, Assis!!!

*Colaborou Andreia Alevato
Arildo Almeida
Arildo Almeida é arquiteto formado pela Universidade de Taubaté (UNITAU) e o atual presidente da Fundação Educacional do Município de Assis (FEMA).
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