05 de Junho de 2020
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Mês das mães e da Mãe

COLUNISTA Padre Alan da Cruz Joaquim

Em todos os anos, no segundo domingo do mês de maio, celebramos oficialmente o dia das Mães, nesta data damos uma atenção especial àquela que nos cerca de carinho e proteção, apesar de ouvirmos com frequência, sobretudo nesta ocasião, que "dia das mães é todo dia”. Termos um domingo de maio para celebrar o dom da maternidade, faz com que todo o mês seja também chamado de mês das Mães, e na Igreja, apesar de haver dias específicos no calendário cristão para celebrações litúrgicas em honra da Virgem Maria, a piedade dos fiéis consagrou também o chamado Mês das Mães a uma especial devoção à Mãe de Deus.

No ano de 1965, o papa Paulo VI escreveu que maio "é um mês em que nos templos e entre as paredes domésticas, sobe dos corações dos cristãos até Maria a homenagem mais ardente e afetuosa por meio de preces e da veneração. E é também o mês em que mais copiosos e mais abundantes descem até nós, do seu trono, os dons da misericórdia divina”. Neste ano, devido à pandemia que vivemos, não será possível acontecer as tradicionais celebrações nas paróquias, procissões luminosas, a reunião das pequenas comunidades nas casas para a recitação do Rosário, porém não impede que cada fiel se recorde e peça a intercessão da Mãe do Senhor, no silêncio de suas casas acompanhando as celebrações pelas mídias sociais.

divulgação - Padre Alan da Cruz Joaquim
Padre Alan da Cruz Joaquim


O mês de maio deste ano será celebrado de um modo diferente do habitual, porém nos ajudará a refletir sobre aspectos da vida da Virgem Santíssima, como o silêncio de quem "guardava tudo em seu coração” (Lc 2, 51), a caridade que fez a Mãe de Deus se colocar a serviço de sua prima Isabel apressadamente (Cf. Lc 1,39) e a compaixão que faz perceber as diversas necessidades nas circunstâncias da vida, como a dos noivos das Bodas em Caná (Cf. Jo 2, 1-12), tais aspectos nos ajudam em nossa espiritualidade cristã e a não deixarmos de lado o desejo do encontro com a Virgem Mãe, pois, como nos ensinou São Paulo VI: "nenhum encontro com ela pode deixar de ser encontro com o próprio Cristo. E que outra coisa significa o recurso contínuo à Maria, senão procurar, entre os seus braços, nela, por ela e com ela, Cristo nosso Salvador, a quem os homens, no meio dos desvarios e dos perigos da Terra, têm o dever e sentem constante necessidade de dirigir-se, como a porto de salvação e fonte transcendente de vida?”.

Nas Sagradas Páginas encontramos que a primeira mulher foi chamada de "mãe de todos os viventes” (Gn 3, 20), isto é, Eva. Na ordem natural somos, de fato, como rezamos na salve Rainha, os degredados filhos de Eva, quanto à ordem espiritual, temos a Virgem Maria por Mãe, pois é Mãe de Cristo, Novo Adão, vindo do céu (Cf. 1Cor 15, 45-49) e a Ele, Cabeça da Igreja, estamos unidos pelo Batismo, somos membros de seu Corpo, e Aquela que é Mãe da Cabeça não pode não ser também Mãe do Corpo? Portanto, Maria, Nova Eva, é nossa mãe, pois, como discípulos de seu Filho, somos parte da Nova criação (2 Cor 5, 17), e o próprio Jesus nos deu sua Mãe como nossa no alto da cruz, através do discípulo amado: "Eis a tua Mãe!” (Jo 19, 27).

Enfim, a maternidade é algo que expressa tanto amor e ternura que podemos afirmar, nas palavras do bispo santo Anselmo (Século XII), que o próprio Deus, em seu plano para nossa salvação, desejou ter uma mãe: "Deus que tudo fez, formou-se a si próprio no seio de Maria. E deste modo refez tudo que tinha feito. Ele que pode fazer tudo do nada, não quis refazer sem Maria o que fora profanado”. Neste mês, rendemos graças a Deus por tantos benefícios que Ele nos tem concedido, suplicando dias melhores e rezamos por todas as Mães, pedindo a Intercessão da Mãe de Misericórdia, Vida, Doçura e esperança nossa!

Feliz Dia das Mães!

COLUNISTA Padre Alan da Cruz Joaquim
Padre Alan da Cruz Joaquim
Padre Alan da Cruz Joaquim é reitor do Seminário Diocesano São José, em Assis
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