27 de Maio de 2020
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Nestes tempos de COVID 19

COLUNISTA - Wilma M. Coronado Antunes

Hoje vejo na folhinha que é dia 17 de abril deste ano de 2020 e de repente concluo que faz exatamente 30 dias que estou em casa, como determina a OMS e seus coordenadores nacionais e regionais . Tão envolvida estava com este últimos aterradores dias, que não consegui ter calma para sentar-me diante de um computador e me isolar completamente diante desta tela para me concentrar nos meus escritos.

Mais de 720 horas, dentro de casa e acrescento, dentro de um apartamento. Já saí algumas vezes para caminhar ao redor do parque Buracão, para soltar meus pensamentos em total liberdade, diante de um verde que me faz muita falta. Dar um passo, outro passo, e muitos outros, esta tão simples atividade física me faz muito bem e assim as endorfinas e serotoninas tão necessárias se libertam.

Sinto que caminhar sozinha, sem encontrar uma viva alma, é neste momento um ato de salvação, um ato de libertação desse meu Eu preso em casa. Esse meu EU que cansou de ler e ouvir notícias do assunto ‘CORONAVIRUS”, que estão na mídia toda e nas redes sociais, com as explanações de todos os especialistas da Saúde, médicos, cientistas, psicólogos, psiquiatras, jornalistas, e outros, muitos outros.

Cansei. Estou realmente cansada. Estou num momento em que apenas leio o jornal que diariamente é colocado na porta da cozinha onde moro. Não sei até quando resistirei. Me questiono " Wilma resista”, "wilma acalme-se”.

Antes desses dias tempestuosos que estamos vivendo, eu me alegrava com gestos tão simples, como beijar os meus netos, abraçar carinhosamente minhas filhas, visitar irmãos, tomar um cafezinho gostoso com amigas, ir à academia e por aí os bate-papos agradáveis que se encontram inesperadamente. Gestos tão simples, reconheçamos, mas hoje com a falta deles sentimos o quão importantes são, fazem parte de nossas vidas e seria frio demais, racional demais, viver sem eles, sem esses pequeninos gestos de amor e abraços fraternos.

Afinal, éramos felizes e não sabíamos. De repente, surge um ser invisível, vindo do outro extremo do nosso planeta, o denominado CoronaVírus. E veio feroz, atingindo a todos, um ser invisível que mata sem balas, morteiros, sem bombas ensurdecedoras, sem fogo assolador, sem mísseis direcionados, perigosamente silencioso, disseminando vidas pelo mundo afora. E as ruas com lojas todas fechadas, completamente vazias, é algo assustador, é um clima de guerra para o qual nunca nos preparamos. Todos, então, nos refugiamos em nossas casas, nosso abrigo, nossa guarida.

O medo atinge a todos os habitantes dos cinco continentes. Milhões de seres humanos perderam suas vidas e muitos outros milhares estão perdendo suas fontes de renda, seus empregos, sua perspectivas de vida, seus sonhos. Um vírus tão pequenino e invisível consegue subjugar um planeta que se considerava tão poderoso.

Afinal resta para todos um caminho para nossa salvação: o surgimento de vacinas e medicamentos que , graças às inúmeras pesquisas dos cientistas em seus laboratórios, poderão identificar as possíveis fórmulas para combater o vírus e resgatar nossa saúde e a saúde da humanidade.

E essas fórmulas, remédios e vacinas, só elas, sob a proteção de Deus com sua onipotência e com sua onisciência, serão criadas, salvarão vidas e assim a humanidade, sem vaidades e egoísmos, sem injustiças e indignidades, poderá se reconstruir, de mãos dadas , todos juntos.

E simultaneamente num movimento individual e redentor de dentro para fora, no íntimo de cada ser humano, reconhecendo que nunca mais seremos os mesmos. Cada um de nós terá que se renovar, reconhecer suas fragilidades, suas ambiguidades, suas virtudes, suas generosidades e após essa pandemia devastadora, colocá-las a serviço do bem comum, tão egoisticamente esquecido.

COLUNISTA - Wilma M. Coronado Antunes
Wilma Coronado Antunes
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