05 de Julho de 2022
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Relatos de um "peba" - Quem é você no pedal?

COLUNISTA - Renato Piovan

Desde os primórdios todos nós vivemos numa tribo. Com base em estudos de Sigmund Freud constatou-se de que "vivemos numa sociedade de grupos que buscam diferentes e múltiplas afiliações e que existem significados compartilhados e a percepção de diferença desses membros em relação a si mesmos, aos outros e a imagem grupal".
Toda essa dissertação é para chegar ao ponto que nos interessa: mesmo em nossa vida em tribos fazemos parte de grupos distintos. E com o ciclismo não poderia ser diferente.
E tudo o que foi relatado no parágrafo acima pode ser claramente visto no seu, no meu, no nosso grupo de ciclistas, também conhecido como "galera do pedal". Assim como em todos os segmentos da sociedade, o seleto grupo de esportistas se subdivide em pequenas tribos dentro de um mesmo aglomerado.
Já parou para pensar em qual dessas tribos você se encaixa no seu grupo de ciclismo? Para descontrair um pouco, vamos ver a seguir alguns exemplos que, com certeza, você já percebeu na sua galera do pedal. E, se não percebeu, é porque ele é você.

Peba: Vamos começar com o ciclista que é o motivo desta coluna. O peba curte um pedal sem compromisso, sem fixação com aplicativos de monitoramento de atividades. Ele é um caçador de cachoeiras, de igrejinhas perdidas no meio do nada, de fazendas. E também de uma vendinha onde ele pode tomar um refrigerante e comer uma paçoca no meio do pedal.

Galáctico: Esse é o extremo do peba. Trata-se daquele seu amigo de alto rendimento, aquele mesmo que você, empolgado, tentou acompanhar assim que comprou a sua bike e viu que não dava. Ele vai nos rolês dos grupos para puxar o pelotão, dar aquele incentivo ou, às vezes, apenas se exibir.

Blogueiro: Cada cenário diferente é motivo para uma foto. É aquele que é o responsável por mandar as imagens e vídeos do pedal no grupo do WhatsApp. Com ele, aquele pedal de uma hora e meia termina em três horas, sendo que vocês só pedalaram uma hora. O resto foi pose e clique.

Coach de pedal: É aquele que adora pedalar tentando incentivar os demais com aquelas frases de efeito "Bruto demais!", "Sem Fingimento!", "A Brutalidade Aflora!", "Sangue na Garganta!", etc e tal. É um grande incentivo, pois você tenta pedalar cada vez mais forte pra se distanciar dele.

Alok: É o DJ da galera. Aquele que fez questão de levar sua caixinha bluetooth nos pedais, quase sempre com músicas de gosto duvidoso. Perde mais tempo preparando sua playlist pro pedal do que a própria bike.

MacGyver: Esse ciclista é aquele que sai para o pedal e leva tudo o que é possível em caso de imprevistos: kit de ferramentas, bomba de mão, kit de remendo a seco, CO2, óleo lubrificante, selante, câmara reserva, gancheira reserva, mochila de hidratação, caramanhola, gel de carboidrato, isotônico, etc. Quase todo ciclista já foi salvo por um desses em algum pedal.

Divulgação - Renato Piovan é jornalista, ciclista amador nas horas vagas e cronista nas horas mais vagas ainda
Renato Piovan é jornalista, ciclista amador nas horas vagas e cronista nas horas mais vagas ainda


Fingido: É o que faz o maior tipo, mas não encara nenhum desafio. Sempre tem um impedimento para não participar de um pedal e, quando vai, sempre tem algo na bike (nunca é culpa dele) que está atrapalhando seu desempenho. Choveu ou esfriou, sumiu. Em dias de muito calor e poeira, também.

De boutique: Sua bike tem todos os acessórios com cores combinando. Usa conjunto de uniforme original (e combinando). Evita trilhas acidentadas para que pedrinhas não marquem a pintura da bike. Se usa fita de guidão, ela está sempre branca, impecável. Filme de PVC no Selim. Limpeza da bike no mínimo uma vez por semana (mesmo sem ter pedalado). Graxa, só com aromatizante.

Professor: É o ciclista que se tornou o personal biker empírico do grupo (mesmo que ninguém tenha pedido). Ele é aquele que sabe quantos quilômetros você deve pedalar por semana; o que você deve comer; que te explica quantos sprints você pode dar; como você deve pedalar no calor, no frio, na chuva, etc. Ele criou o seu próprio método de Bike Fit autossuficiente e ai de quem discordar dos seus ensinamentos.

Existem muitos outros tipos de ciclistas que, provavelmente, iremos abordar em uma parte 2 desta coluna. E aí, você conhece algum destes tipos listados acima, se encaixa em alguma destas descrições ou acha que faltou algum exemplo mais comum dentre os amantes do pedal?

Nos vemos nas trilhas por aí.
Divulgação - Renato Piovan
Renato Piovan
Jornalista, ciclista amador nas horas vagas e cronista nas horas mais vagas ainda.
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