19 de Maio de 2022
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Sustentabilidade é uma realidade no Brasil? A distância entre a narrativa e a prática e o caso LinkedIn

COLUNISTA - Elisa Barbosa

A sustentabilidade tem sido pauta crescente em todo mundo, em especial, em países subdesenvolvidos. Empresas que desejam se manter no mercado precisam se adaptar à nova realidade do ESG.

No entanto, ainda que haja preocupação com o tema, o que mais deixa a desejar nas empresas é o envolvimento com a responsabilidade social. De acordo com Fabio Alperowitch, da FAMA Investimentos, o Brasil tem dificuldade em incluir pautas como desigualdade social e discriminação racial.

Tanto é que, na semana passada, a plataforma LinkedIn derrubou um anúncio de vaga de emprego que dava preferência à contratação de candidatos negros e indígenas.
A vaga, aberta pelo Laut (Centro de Análise da Liberdade e do Autoritarismo), foi retirada da rede pela plataforma, com a justificativa de que seria discriminatória e feria as suas políticas. Um país como o Brasil, porém, que é marcado por uma forte história de discriminação, precisa de políticas afirmativas e processos seletivos inclusivos para ajudar na diminuição do abismo social existente na atualidade. E empresas que têm como pauta o ESG, têm como responsabilidade agir para a promoção da diversidade, equidade e inclusão.

Divulgação - Elisa Barbosa, especialista em ESG - Foto: Divulgação/Arquivo Pessoal
Elisa Barbosa, especialista em ESG - Foto: Divulgação/Arquivo Pessoal


Após o ocorrido, o LinkedIn divulgou, ainda na semana passada, uma nota com atualização em sua política de anúncio de vagas, afirmando que "em países onde exista uma jurisdição onde isso [criar anúncios [afirmativos, que favoreçam determinados candidatos ou grupos> seja legalmente aceito, o LinkedIn pode permitir anúncios cuja linguagem expresse preferência por pessoas de grupos historicamente desfavorecidos em processos de contratação naquele local".

Segundo Fábio Alperowitch, "Quando olhamos para os indicadores brasileiros, vemos que a desigualdade piorou. Os índices de desmatamento, de emissão de carbono, de violência contra a população LGBTQIA+ também retrocederam. Quantas empresas de fato estão pensando nisso?"

O Brasil ainda tem uma grande luta pela frente para, de fato, implementar as políticas ESG, e para que o seu significado real seja entendido. Alperowitch, no entanto, é otimista. Para ele, são as novas gerações que vão fazer as mudanças necessárias e mais significativas para o mundo.
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Elisa Barbosa
Elisa é advogada atuante na área de migração pelo Instituto ProBono e ProMigra/USP, mestre pela UNESP e consultora em ESG - OAB/SP 365.622
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