01 de Dezembro de 2022
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Viciado em corrigir

COLUNISTA - Fernando Nascimento

Há algum tempo, minha esposa Carla resolveu tirar um sarro de mim e me marcou em uma publicação do humorista @diogoalmeida, sobre ele ser professor e "viciado" em corrigir erros de português. Eram óbvios o sarcasmo e exagero.

Eu ri com respeito, como diz uma amiga minha, mas com uma boa dose de tristeza.

Eu tenho a impressão de que a educação é bastante negligenciada no país. Penso que não é um objetivo geral que as pessoas se desenvolvam. Talvez, o sistema entenda ser melhor haver alienação, é bem mais fácil de se amoldar àquilo que ele deseja.

Cada vez que leio algo "errado", me entristece saber que pode ter faltado uma melhor orientação. Utilizei aspas para você entender que falo sobre gramática e semântica.

É errado falar errado? Escrever errado?

Errado é privar as pessoas da possibilidade de se desenvolverem. De aprenderem.

Divulgação - Fernando Nascimento - Foto: Divulgação
Fernando Nascimento - Foto: Divulgação


Vivemos em um país que faz isso com louvor. Se fosse em uma prova, a nota 10 estaria garantida.

Quando mais jovem (já faz algum tempo), eu era bem crítico com relação a essas coisas. Como na brincadeira do Diogo, eu gostava de corrigir "quem falava errado", e a arrogância gritava alto.

Hoje, na flor de meus quarenta e poucos anos, redescobri que é necessário (não mais fácil) tentar corrigir o sistema.

Se continuarmos a permitir e aceitar que a educação seja tratada com desprezo, teremos muito a lamentar. A desigualdade social, econômica e intelectual continuará a massacrar nossa sociedade.

Estou tentando me encaixar no lado certo dessa luta.

Quem convive comigo sabe que gosto das palavras escritas e faladas corretamente. Mas, o inimigo a ser derrotado é a ausência de oportunidades de melhora, não os erros de português que cometemos. Sim, é uma luta. Bem maior do que imaginamos.

Estes dias, lembramos o Dia dos Professores. Sei que vocês (educadores) provavelmente, sejam viciados em corrigir. Mas com a intenção de melhorar a vida das pessoas.

Espero que vocês tenham material didático de qualidade para continuar sua missão. Que não faltem água, luz ou internet em suas escolas. Que não haja goteiras nas salas de aula, em dias de chuva. Que existam móveis adequados, cafezinho e papel higiênico fornecidos pelo empregador.

E, acima de tudo, que seus salários sejam dignos do trabalho que vocês exercem.

Sou eternamente grato a cada professor e professora que passou por minha vida. Obrigado por cuidarem de mim. Acho que o esforço tem valido a pena.

Que nosso sistema seja corrigido. Todos merecem Educação.

Os 15 de outubro devem ser dias de comemoração.

Utopia?
Colunista - Divulgação
Fernando Nascimento
Copywriter Junior e Social Media Junior
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