05 de Dezembro de 2020
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A escola de educação infantil e a pandemia

Adriana Aparecida de Souza - especialista em Educação Especial

A quarentena e, consequentemente, o isolamento social, afetaram diversos setores, entre eles o educacional, seja a rede pública – município e estado – ou privada. Nesse contexto, vimos nossas escolas procurando uma adaptação da rotina e organização pedagógica, fato totalmente novo e sem embasamento em vivências anteriores. É um acontecimento histórico e que, de fato, não há direcionamentos científicos ou até mesmo empíricos, assim, sejam pais, estudantes, equipe diretiva ou corpo docente, todos que formam a escola podem, em alguns momentos, repensar o caminho trilhado, questionar se estão escolhendo os melhores meios de continuar a educação, porém, é nítido que esforços estão sendo desprendidos a fim de promover a melhor educação dentro das novas condições apresentadas.

Nessa mesma caminhada estão as escolas particulares, essas, com agravantes que vão além dos conteúdos, avaliações e aprendizagens durante a pandemia, mas, por sua própria sobrevivência no mercado. As instituições de educação infantil são as mais prejudicadas, cerca de 80% das escolas particulares que atendem as crianças de zero a cinco anos podem simplesmente fechar suas portas a partir dessa realidade. Como não há a obrigatoriedade de frequentar a escola até os três anos, muitos pais buscaram a secretaria das escolas para cancelamento do contrato, ficando as crianças com os próprios pais em casa ou com parentes que estão em home office ou grupo de risco. Apenas aquelas famílias que dependem da escola, continuam tentando realizar os pagamentos das mensalidades. Essas, por sua vez, são negociadas com as instituições de ensino em parcelamento ou descontos consideráveis.

Ocorre que todos esses fatores geram um efeito chamado de "dominó”, alguns pais foram afetados pelo desemprego e, sem opções, cancelam a matrícula do filho ainda pequeno, a escola, passa a ter uma redução de suas receitas, professores são demitidos, profissionais que atuam nas escolas são demitidos, fornecedores de diferentes segmentos que abastecem a escola, como alimentos para o almoço, lanche e jantar das crianças, profissionais autônomos que realizam as aulas extra curriculares por exemplo, deixam de receber seus salários e, na ponta desse emaranhado de fatos, fatores e sujeitos, está a escola fechando suas portas.

Em diversos municípios o retorno às instituições de ensino não é cogitado, por uma questão óbvia de saúde e propagação viral, porém, é preciso um olhar social e até mesmo governamental, direcionado aos empresários do setor educacional, a fim de promover a sobrevivência das instituições particulares de educação infantil pós pandemia, garantindo espaços de atuação dos pedagogos, bem como das nossas crianças, uma vez que a rede pública não supre a necessidade de matrículas em totalidade.
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