20 de Abril de 2021
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Pandemia para uns e vida normal para outros

Saiba qual a visão dos jovens que frequentam festas clandestinas e o que isso pode trazer para seu futuro

A pandemia ainda não acabou, porém, para uma parcela da população, entre elas a maioria jovem, é como se tudo estivesse bem e frequentar baladas e festas fosse algo normal. De acordo com o coordenador-executivo do Centro de Contingência do Estado de São Paulo, João Gabbardo, as maiores taxas de transmissão do vírus ocorrem nesses locais e os frequentadores levam o vírus para suas casas.

"Aprendemos que o problema não está nos ambientes controlados. O aumento da transmissão ocorre nos bares, no lazer noturno, nas atividades que ocorrem à noite, nas baladas, festas e comemorações. É nesse ponto que o plano mudou consideravelmente", afirmou Gabbardo durante coletiva de imprensa do Plano São Paulo, em janeiro de 2021.

Porém, a dúvida que fica é o porquê muitos jovens banalizam a pandemia e arriscam sua saúde e a dos seus familiares para se divertirem e aglomerarem. Em conversa entre a equipe de reportagem do Portal AssisCity com a psicóloga Giulia Bertolucci, ela explicou esse tipo de comportamento e o motivo pelo qual acontece.

Divulgação - Giulia Bertolucci - Psicóloga / Arquivo Pessoal
Giulia Bertolucci - Psicóloga / Arquivo Pessoal


"Não acredito que seja uma visão negacionista, mas sim uma dificuldade de entrar na realidade. Essa nova geração de jovens tem uma dificuldade de amadurecimento, eles não tiveram as conquistas que os pais tiveram. A resposta deles perante a pandemia tem tudo a ver com o contexto em que estão inseridos", afirmou a profissional que tem como especialização o trabalho com bebês, crianças e adolescentes.

O fato da pandemia ser algo inédito na sociedade atual é um ponto bastante impactante nesse tipo de comportamento, principalmente quando o vírus ainda não atingiu nenhum familiar ou pessoa próxima. Giulia explica que isso é a falta de contato com o luto.

"Se a pandemia está um bom tempo aí e não chegou em ninguém que conhece, é como se o pensamento do jovem fosse que jamais vai chegar e por isso ele pode voltar a fazer tudo que fazia antes de 2020, seja frequentar baladas clandestinas ou andar sem máscara na rua", enfatizou Giulia, que também falou sobre a importância dos pais estarem presentes na rotina desses jovens e darem limites a eles.

O maior problema para o jovem será quando ele levar o vírus para casa e algum familiar morrer. O sentimento será muito maior que o luto, a sensação de culpa acontecerá e isso poderá agravar ainda mais. Segundo Giulia, é nesse momento que a ficha cai, mesmo que seja tarde demais.

"Se os pais não impõem um limite, a situação impõe. Caso um parente morra, é nesse momento que a pessoa se sente uma das culpadas, fala que se arrependeu, porém, não podemos voltar ao passado e contornar as coisas. Ela tem que lidar com essa culpa e com auxílio de um profissional trabalhar de um jeito que ela não desenvolva depressão, ansiedade e uma ideia suicida. É aí que ela vai atingir a tal maturidade", explicou a profissional.

Por fim, Giulia deu um panorama de como serão esses jovens no futuro.

"É muito preocupante para a próxima geração o como a sociedade está num momento difícil. Eles serão adultos frustrados, sem carreiras sólidas que não vão saber lidar com a realidade. Essa desculpa do tédio de ficar em casa é muito em questão da falta de maturidade, justamente para não entrar em contato com o que acontece no mundo e com isso se sentirem invencíveis", finalizou a psicóloga.

Abaixo, algumas respostas de alunos do sétimo semestre do curso de psicologia da Unesp de Assis que foram questionados sobre o tema pelo professor Walter Migliorini:

"Acredito que as aglomerações entre jovens na pandemia estão intimamente ligadas ao fator da síndrome de Super-Herói. Os jovens que se aglomeram na pandemia demonstram uma ignorância e descaso com a saúde", disse um dos alunos que preferiu não se identificar.

"Acredito que mais do que tudo, é uma resposta para a grande dificuldade e péssima qualidade de nossas relações familiares, cada vez mais individuais dentro de casa. Creio que muitos saem pela péssima qualidade dos vínculos familiares", afirmou o aluno Anderson.

"Me sinto frustrada com essas cenas, sendo que perdi um ente querido para a doença. Acho uma grande falta de respeito com as famílias brasileiras que perderam alguém. Não consigo entender de que forma essas aglomerações são positivas na vida de alguém", escreveu Julia Ramos.
Redação AssisCity
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