05 de Julho de 2022
20º/30º
Notícias - Mundo

Especialistas mostram como eleição de Trump pode afetar o Brasil

Restrição a exportações, dificuldades em obter visto e possibilidades de intervenção na América Latina estão entre as possibilidades

Contrariando expectativas para o pleito presidencial norte-americano deste ano, o empresário bilionário e candidato pelo Partido Republicano Donald Trump venceu na madrugada desta quarta-feira (10/11) a ex-primeira dama e ex-secretária de Estado Hillary Clinton, do Partido Democrata. Especialistas contam o que muda para o Brasil com o resultado das eleições nos Estados Unidos.

Economia

O que muda para o Brasil, sob o aspecto econômico, pode ser o que vai mudar para o comércio mundial como um todo. A avaliação é do economista e professor da Fundação Getúlio Vargas, Mauro Rochlin. A leitura dos efeitos da vitória de Donald Trump, segundo ele, é bem mais abrangente sob o ponto de vista econômico e diz respeito a todo o comércio internacional.

"Como o discurso de Trump é muito protecionista e um tanto xenófobo, o receio é que isso represente uma restrição maior do mercado norte-americano em relação às exportações. O discurso apontava para a defesa de empregos norte-americanos e, especificamente, para a China como uma destruidora de empregos nos Estados Unidos, o que faria supor que eles seriam menos receptivos com relação ao comércio com países que pudessem representar uma menor oferta de empregos lá."

O especialista acredita que as exportações brasileiras podem ser prejudicadas caso o discurso do então candidato se converta na prática do agora presidente eleito Donald Trump.
"Os Estados Unidos são o segundo principal parceiro comercial do Brasil. As exportações brasileiras para lá têm alto valor agregado. São produtos manufaturados, ao contrário do que vai, por exemplo, para a China, que são commodities. Qualquer restrição com relação ao mercado norte-americano seria ruim para o nosso setor exportador, principalmente de bens manufaturados. Esse é o maior risco para a economia brasileira."

Rochlin defende ainda que, diante do novo cenário de vitória de Trump, os mercados devem "reprecificar" câmbio e bolsas de valores. "As bolsas e o câmbio refletiam a aposta da eleição da Hillary. Como a expectativa não se confirmou, o mercado deve precificar essa nova realidade. Na prática, teremos queda na bolsa de valores a curtíssimo prazo e uma alta do dólar em relação às demais moedas", concluiu.

Relação bilateral

Sob a ótica política e da relação bilateral com o Brasil, o professor de política e administração pública Robert Gregory Michner acredita que os efeitos serão menores. Ele lembrou que a agenda de Donald Trump, em sua maioria, é "de ordem doméstica", cumprindo a tradição da velha guarda republicana nos Estados Unidos.

"Ele não tem uma grande preocupação com a América Latina, salvo no sentido negativo, em termos de imigração ilegal. Para os brasileiros que queiram ir para os Estados Unidos, provavelmente vai ficar mais difícil obter visto", disse. "Aquela defesa da democracia e de um governo aberto que tem Barack Obama não vai ser de muita importância para Trump. Vai ser mais importante assegurar que todos sejam aliados dos Estados Unidos. Que o Brasil e a América Latina estejam firmemente pró-Estados Unidos."

O especialista alertou, entretanto, para a possibilidade de intervencionismo por parte dos Estados Unidos, inclusive em países da América Latina. "Se o Trump percebe uma ameaça, por exemplo, [da> Venezuela ou Equador, quem sabe se ele vai ressuscitar a velha política dos republicanos de intervenção?"

"Basicamente, vamos ver se o discurso dele, que era muito hiperbólico, exagerado, realmente era pura retórica ou se era um prelúdio à ação. As promessas eram muito extremas em termos de política externa, de mudar grandes estratégias dos Estados Unidos em diversos sentidos. O discurso de Trump sempre foi racista, misógino e pouco tolerante. Vamos ver se isso se traduz, especialmente em relação aos imigrantes. Fica uma incógnita."

Brasil entre os menos afetados

Em entrevista ao programa Revista Brasil, da Rádio Nacional, o jurista brasileiro e ex-ministro das Relações Exteriores Francisco Rezek avaliou que o Brasil figura entre os países menos afetados com a vitória insperada de Donald Trump nas eleições presidenciais norte-americanas.

"Há outros países que têm mais com o que se preocupar do que nós. Sobre nós, o que repercute é apenas essa ideia de que temos, na chefia daquilo que ainda é a nação militarmente e economicamente mais poderosa do mundo, alguém que não tem como avaliar o fenômeno global, os interesses nacionais à luz da comunidade humana que povoa o planeta. É isso que falta a Donald Trump. Nesse sentido, como somos uma parte expressiva deste mundo, um país de dimensões territorial e humana colossais, o problema nos afeta. Mas ele decididamente não nos afeta mais do que a outros, como a comunidade europeia, o Reino Unido, a Rússia e outras nações."



Metrópoles
+ VEJA TAMBEM

Olhe para o céu! Vênus e Júpiter estarão em conjunção neste final de semana

Fenômeno poderá ser visto em todo o Brasil, de acordo com o Observatório Nacional.

Rincón, ex-jogador de futebol, morre aos 55 anos na Colômbia

Ídolo no Brasil e em seu país natal não resistiu aos ferimentos após ter o carro atingido por um ônibus na Colômbia, na última segunda-feira (11); jogador teve traumatismo craniano e passou por um delicada cirurgia, mas não sobreviveu.

Adolescente morre após ficar preso em 2 metros de tentáculos de água-viva

A fatalidade ocorreu na praia de Eimeo, em Queensland, na Austrália. Kirby Dash comemorava o aniversário da mãe no local

Rússia ataca a Ucrânia com bombardeios em várias cidades, inclusive em Kiev

O gabinete presidencial da Ucrânia informou que mais de 40 militares do país morreram durante os ataques realizados pelas forças da Rússia contra bases aéreas e unidades militares no território ucraniano

8 crianças morrem em ataque de Israel a Gaza; prédio de TV colapsa

Dez pessoas de uma família palestina, incluindo oito crianças, foram mortas neste sábado por mísseis israelenses, que atingiram ainda um prédio que abriga a agência de notícias Associated Press e a emissora Al Jazeera.

Morre o Príncipe Philip, marido da rainha Elizabeth, aos 99 anos

Palácio de Buckingham anunciou que o marido de Elizabeth II morreu nesta sexta-feira. A causa ainda não foi revelada. Em fevereiro, ele passou por uma cirurgia do coração.

- Veja a lista completa