06 de Maio de 2021
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'Imagino o desespero dela no carro', diz amiga de psicóloga morta em batida

Polícia investiga se motorista, que foi preso e liberado após pagar fiança, disputava racha na avenida

A amiga da psicóloga Maria Flávia Camoleze, que morreu em um acidente de carro na madrugada de sábado, 1º, no Centro de Assis, disse em entrevista ao G1 que o rapaz que dirigia o carro e foi preso por embriaguez ao volante, não era amigo da vítima.

Thaís Cristina Zanirato contou que no dia do acidente a psicóloga tinha ido a um bar com os amigos. Como a jovem que divide apartamento com ela foi embora mais cedo, Maria Flávia decidiu ir para casa de carona com um conhecido.

"O que eu sei é isso, que ela pegou uma carona, mas não era um amigo dela. Ele não fazia parte do nosso círculo de amizades", diz.

Segundo a polícia, a jovem de 26 anos estava no banco de passageiros do veículo que, em alta velocidade, bateu em um prédio comercial por volta das 2h30 na Travessa Sorocabana.

Divulgação - Acidente aconteceu na madrugada deste sábado na Avenida Rui Barbosa — Foto: The Brothers/Divulgação
Acidente aconteceu na madrugada deste sábado na Avenida Rui Barbosa — Foto: The Brothers/Divulgação


Câmeras de segurança flagraram a colisão (veja abaixo) e a Polícia Civil investiga se o motorista, um dentista de 24 anos, disputava racha na avenida.

No vídeo de uma câmera de segurança é possível ouvir sons de carros acelerando, frenagem e derrapagem (som de "pneu cantando") antes da batida, o que pode indicar que os motoristas participavam de um racha.

Segundos antes da batida o carro onde a psicóloga estava ultrapassa um outro veículo pela direita em alta velocidade. O carro bate com violência no prédio comercial, e em seguida o outro carro sai do local em alta velocidade.

"Serão apuradas todas as demais circunstâncias do ocorrido para confirmar ou não essas informações de que teria ocorrido racha na avenida", afirma o delegado.

"Ela jamais entraria nesse carro sabendo que era para tirar racha. Eu consigo imaginar o desespero dela dentro desse carro", diz a amiga.

Divulgação - Thaís era amiga de Maria Flávia, que morreu no acidente em Assis — Foto: Arquivo pessoal
Thaís era amiga de Maria Flávia, que morreu no acidente em Assis — Foto: Arquivo pessoal


Thaís afirma que que não reconheceu de quem seria o outro carro que aparece no vídeo. Para ela, a amiga não pegaria carona com o dentista se soubesse da imprudência.

"Pelo que eu conheço da Maria, ela jamais compactuaria com isso. Ela era muito inocente no quesito amizades, ela fazia amizade muito fácil, criava confiança muito fácil, mas não acredito que ela tenha compactuado com a situação", conta Thaís.

De acordo com o delegado seccional de Assis, Ricardo Fracasso, os policiais estão analisando as imagens e vão ouvir testemunhas para apurar as causas da batida. A Polícia Civil tem até 30 dias para concluir o inquérito.




"Vai ficar um buraco"

Maria Flávia Camoleze, de 26 anos, era filha do provedor da Santa Casa de Cândido Mota. Depois do acidente, a prefeitura e o hospital emitiram notas de pesar pela morte da jovem.

Segundo a amiga, que fez faculdade com a vítima, Maria Flávia era muito querida na cidade, não só pela família e amigos, mas também pelos pacientes que atendia há cerca de um ano.

"Eu fico também pensando neles que vão ficar sem a pessoa que eles confidenciavam, que estava ali toda semana. É uma parte da história deles também que vai ficar com um buraco", lamenta Thaís.

Divulgação - Psicóloga Maria Flávia Camoleze, 26 anos
Psicóloga Maria Flávia Camoleze, 26 anos


A jovem também relatou que Maria Flávia começou a trabalhar como psicóloga depois que superou o luto do ex-namorado, que morreu em 2018. Para ela, morar em Assis e atender os pacientes era uma forma de recomeço.

"A Maria ficou desolada nessa época, foi ao fundo do poço, mas aos poucos ela foi se reerguendo e foi onde, da dor dela, ela começou a trabalhar com a dor dos outros. Então era uma conquista para ela."

Segundo Thaís, Maria Flávia também tinha se mudado para Assis para atuar como psicóloga porque tinha medo de viajar diariamente para Cândido Mota, cidade onde os pais dela moram.

"É triste que não foi esse trajeto que tirou a vida dela, foi uma carona infeliz", lamenta a amiga.
Maria Flávia foi enterrada na manhã deste domingo , 2, no Cemitério Municipal de Cândido Mota. Já o motorista pagou fiança de sete salários mínimos (R$ 7,7 mil) e será investigado em liberdade.

Ele teve ferimentos leves no acidente e ficou internado em um hospital de Assis sob escolta da Polícia Militar. Após a audiência de custódia ainda no sábado, o jovem também teve que entregar a carteira nacional de habilitação (CNH) e não pode deixar a cidade sem autorização do juiz responsável pelo caso.
G1
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