07 de Março de 2021
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Serviço de delivery cresce durante a pandemia e acidentes também

Motociclistas se arriscam diariamente para levar mantimentos até as casas

O serviço de entregas por aplicativo e mototáxi era algo que poucas pessoas davam a devida importância antes da pandemia, mas, desde março de 2020 são eles e elas que se arriscam em suas motos para trazerem comida, compras ou medicamentos até as casas das pessoas.

Por se tratar de um trabalho informal, ou seja, que não precisa de um acordo trabalhista, não existe um controle preciso no aumento do número de novos trabalhadores da área de acordo com a Pnad - Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios. Porém, de acordo com estimativas da própria consultoria, houve um aumento de aproximadamente 158% só até o primeiro semestre de 2020, período de início da pandemia, em que ainda não havia a flexibilização do comércio.

O lucro de um trabalhador da área é através do número de entregas que eles realizam em uma jornada, e podem variar de 3 a 5 reais por pedido. Por conta desse motivo e do aumento de pedidos, muitos aceleram mais que o necessário, não respeitam as sinalizações de trânsito e se acidentam.

Segundo o sargento Lindolfo do Corpo de Bombeiros de Assis, em entrevista a reportagem do Portal AssisCity, antes do início da pandemia a média diária de ocorrências que envolviam motoqueiros eram de duas a três por dia, número que desde março de 2020 aumentou para cinco a seis. Na opinião do militar, a culpa nem sempre é do motociclista, mas também dos carros. Os motivos principais desses acidentes são por conta do uso de celulares e desrespeito às leis de trânsito.

A reportagem procurou motociclistas para ouvir as opiniões deles a respeito do aumento do número de acidentes e um deles foi Daniel Rosa, que por dia atende até 8 empresas, além de serviços particulares. Segundo ele, muitos estabelecimentos cobram agilidade nas entregas e muitas vezes são em pontos distintos da cidade, com isso, o motociclista se arrisca ainda mais para não ultrapassar o tempo limite da entrega, não ter um desconto no ganho e em muitos casos é nesse momento que ocorrem os acidentes.

divulgação - Daniel Rosa, durante pausa no trabalho
Daniel Rosa, durante pausa no trabalho


Já a motogirl Isabelle Turini, que participa do coletivo feminino "Femini Taxi", diz que ela e outras meninas da área são bem tratadas pelos restaurantes e que não sofrem com essa pressão dos estabelecimentos durante as entregas. Porém, segundo ela, o próprio trânsito é mais perigoso por muitos ainda terem uma visão preconceituosa de mulheres nas motos e com isso tentam ultrapassar em momentos indevidos que culminam em colisões. Ela também enfatizou que o medo de assaltos é diário, pois as motos se tornaram alvos dos bandidos.

No Brasil existem milhares de pessoas como Daniel e Isabelle, que diariamente se arriscam nas ruas para ajudarem pessoas e empresas. Em um momento como esse, o serviço se tornou ainda mais essencial e muitos ainda não entendem a importância ou acham que são os vilões do trânsito. Na verdade, eles querem respeito e menos generalização.
Redação AssisCity
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