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Depois de 69 anos em operação em Paraguaçu, Rádio Marconi sai do ar no mês de outubro

A Rádio Marconi opera nos 1190 kHz em AM em Paraguaçu Paulista.

Atualizada às 17h21 - 28/09/2016

Criada em 15 de agosto de 1947, quando pertencia à Rede Piratininga, a Rádio AM Clube Marconi de Paraguaçu Paulista sairá do ar definitivamente neste mês de outubro. A data precisa ainda não foi definida, devido a uma série de burocracia que deve ser atendida junto à Anatel.

Da Rede Piratininga, a Rádio Marconi passou, em 1968, para o Grupo de Radiodifusores liderado por Mitsuo Marubayashi, cuja morte, em novembro de 2007, acabou acelerando o processo de fechamento da emissora.

Vários profissionais do jornalismo brasileiro passaram ou até mesmo iniciaram sua carreira na emissora. Alguns nomes fizeram sucessos como Leon Santos, Joseval Peixoto, Manuel Junqueira Rosa, João Alfredo, Roberto Torres, Luis Marcos Pereira, Álvaro Loureiro, Benê Martins, sendo estes dois últimos de Paraguaçu Paulista.

Os locutores Robson Silva e Fábio Santos, este atuando há mais de 20 anos na emissora, e a jornalista Nayara Aniceto, já foram desligados neste mês de setembro. Por conta disso, a rádio não possui mais programação local.

A emissora também projetou talentos da música como foi o caso das Irmãs Galvão. No ano de 1947, a ourinhense Mary, com sete anos de idade, e a palmitalense Marilene, com cinco anos, iniciaram a carreira se apresentando em programas de auditório na Rádio Clube Marconi.

Foi na Rádio Clube Marconi que Mary e Marilene nasceram artisticamente como Irmãs Galvão. Incentivadas pelos pais, Bertholdo e Maria, e por Mário Pavanelli, a estréia foi em um programa comandado por Sidney Caldini.

Migração de AM para FM

As rádios AM têm enfrentado queda de audiência e de faturamento devido a interferências na transmissão de sua programação. Além disso, não podem ser sintonizadas por dispositivos móveis, como celulares e tablets.

A solução encontrada pelos empresários do setor foi a migração de faixa de AM para FM, uma antiga reivindicação dos radiodifusores e que foi autorizada por um decreto presidencial em 2013.

Para fazer a migração, os radiodifusores terão de arcar com os custos referentes à diferença entre as outorgas de AM e de FM. Os valores variam de R$ 8,4 mil até R$ 4,4 milhões. Um custo alto, e de retorno financeiro a longo prazo, para empresas de pequeno porte e de economia familiar como a Rádio Clube Marconi de Paraguaçu Paulista.

A tabela elaborada pelo Ministério das Comunicações foi feita com base em critérios como índices econômicos, sociais e população do município em que a rádio está localizada, além do alcance. As emissoras também precisarão adquirir equipamentos para a transmissão do novo sinal.

Atualmente, 1.781 emissoras estão na frequência de AM em todo o Brasil, sendo divididas de acordo com o alcance: local, regional ou nacional. Ao todo, 1.386 pediram para mudar de faixa: 948 rádios já poderão fazer a migração em 2016, mas 438 emissoras terão de aguardar a liberação do espaço que vai ocorrer com a digitalização da TV no País.



O jornalista e radialista Joseval Peixoto que, no início da carreira, trabalhou na Rádio Marconi. Atualmente atua na Rádio Jovem Pan e o SBT, onde apresenta, respectivamente, o Jornal da Manhã e o SBT Brasil




O jornalista Álvaro Loureiro que começou como estagiário na Rádio Marconi, em 2004, e hoje é editor e apresentador na TV TEM de São José do Rio Preto



As Galvão, quando da primeira apresentação na Rádio Marconi e em visita em agosto último, com um dos funcionários remanescentes da emissora, Thiago Colavite



Depois de 69 anos em operação em Paraguaçu, a Rádio Marconi sai do ar dia 2 de outubro


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