10 de Dezembro de 2019
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Janaúba: fé, esperança e amor

Como viver sem ter esperança de um amanhã melhor? De zelar pelo próximo e pelas pessoas que ama? De apoiar-se em bons pensamentos para suportar medos e sofrimentos? Como viver sem Deus? É como dizia Voltaire, durante o tempo que ficou na prisão, "Se Deus não existisse, seria necessário inventá-lo". Atrocidades como a morte precoce de crianças em Janaúba, em Minas Gerais, pelo vigia Damião, deixam claro a diferença entre o amor e a maldade.

Eu me recuso a acreditar que limitações físicas ou transtornos mentais são motivadores para maldades como a vivenciada em Janaúba. Isto parece mais ser falta de fé, esperança e amor. Ou seja, falta de Deus!

Deus nos permite preencher os pensamentos, vigiá-los e conduzi-los para caminhos cada vez mais felizes, equilibrados e saudáveis. Quantas vezes o vigia Damião, com a mente vazia de tais bons pensamentos, deve ter alimentado sua alma, pensamentos e atitudes com a essência do mal? Como Damião, deve existir muitos outros precisando de ajuda médica e espiritual. Muitos destes podem estar perto de nós, ou até em nossas famílias.

Maldade é maldade! Eu não vejo diferença entre a maldade que motivou o vigia de Janaúba, políticos que roubam dinheiro público da saúde e bandidos que sequestram e matam crianças para o tráfego de humanos e de órgãos. Existem muitas pessoas transtornadas, com limitações físicas e mentais, que são um poço de amor, fé, esperança e carinho. Portanto, doença é uma coisa, maldade é outra.

Diante de tragédias como estas, as pessoas costumam questionar: onde estava Deus quando estas crianças precisaram? Estava e está por perto sempre: na força da professora Heley que salvou, ao menos, 25 crianças lutando contra o algoz. Deus está nos médicos que se colocam à disposição para ajudar. Deus está nas dezenas de voluntários anônimos que ajudaram e ajudam desde o primeiro momento da tragédia... Deus está em todo lugar! Sempre.

Como disse Octavia Spencer no filme A Cabana: "Deus nunca abandona, sempre está por perto e pode criar um bem extraordinário a partir de tragédias indescritíveis, mas, isso não significa que Deus as orquestre." Portanto, é preciso que cada um, à sua forma, independentemente de religião ou crença, busque a essência do significado de Deus: viver a fé, esperança e amor em pensamentos, palavras e atitudes.

Quem sabe se Damião dispusesse de tratamento psiquiátrico adequado e o amor de Deus dos mais próximos, nada disso tivesse acontecido! Quantos "Damiões" devem estar por ai neste momento, destituídos de tal tratamento e atenção?

Walter Roque Gonçalves
Walter Roque Gonçalves
Walter Roque Gonçalves é consultor de empresas , professor executivo/colunista da FGV/ABS (FGV/América Business School) de Presidente Prudente
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