30 de Outubro de 2020
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Carta aos professores.

Caríssimos.

É muito gratificante dirigir minhas palavras a vocês nesses dias tão difíceis. Claro que de certa forma, de uma maneira muito particular, digo coisas para mim também. Sou professor de Filosofia há dez anos na rede estadual paulista. Não é uma vivência que consente pontuar tudo sobre o magistério, mas me permite compartilhar algumas coisas.

O trabalho dos professores é um dos mais monitorados pela sociedade, pois a maioria das pessoas ou foram ou são estudantes. Isso possibilita uma variedade de opiniões sobre como o professor deve atuar enquanto docente. Confesso que, muitas delas, se apresentam como dignas de toda atenção. Essa característica torna tal profissão como uma das mais expostas e democráticas que o Ocidente criou.

Assim, não é novidade para ninguém o total descaso das autoridades políticas com a educação. Vivemos isso na crueldade com que somos tratados nas escolas da vida. Jornadas estafantes, salários miseráveis e diversas maneiras de assédio moral; constituem a realidade da totalidade do magistério público. Sei que é arriscado fazer generalizações, mas faço com elevada margem de segurança, por essas adversidades listadas formarem uma visível política de estado. Educar as massas não é prioridade para a sociedade do capital, apenas adestrar.

Somos o meio pelo qual se agride um dos direitos mais nobres de uma pessoa: a educação. Todas as desvalorizações que sofremos no cotidiano escolar têm como finalidade propiciar um ensino insuficiente para a juventude. Nosso comprometimento para lutar por um ensino público de qualidade é colocar essa lógica da fome no seu devido lugar. Já que somos o meio pelo qual se ataca um direito da população, também somos o meio pelo qual se possibilita um direito aos mesmos. Isso só poderá se concretizar na adesão e organização de nossas greves e mobilizações em torno de reivindicações reais, tais como o salário e condições suficientes para boas aulas. Lutar pela educação é lutar pelo povo.

E relembremos que nossa profissão é a mais monitorada pela sociedade. Chamemo-la para nos acompanhar nessa jornada de luta em defesa do direito à educação pública e de qualidade. Acompanhados por estudantes (tanto os secundaristas como os universitários que são os futuros professores) e pais, nossos grandes companheiros e vigias, nossa causa se tornará a deles também. Sempre foi, mas passará a ser atuante e consciente. Também fortalece essa luta a política de aproximação com os outros setores dos serviços públicos que estão abandonados como forma de oprimir a população, tais como a saúde e a cultura.

Essa unidade comporta um poderoso instrumento de ação que pressiona nosso sindicato a defender nossos interesses concretos. Não podemos tolerar que a burocracia sindical decida as pautas e os destinos das greves, para tanto, é preciso situar essa intervenção direta com todos os que estão preocupados com uma educação de qualidade. Atuação e organização coletiva em um mesmo nível de construção.

Todos à greve!

Saudações amigas.


Por Ulisses Coelho

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