05 de Junho de 2020
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D. Quixote de La Mancha

COLUNISTA - Elda Jabur

Uma obra que ultrapassa a história, publicada pela primeira vez pelo renomado escritor espanhol Miguel de Cervantes, no ano de 1605. Essa época culminava com o final da Idade Média e a vida da população era muito difícil. O protagonista da história assume um papel importantíssimo. Era o defensor dos pobres e oprimidos. Suas ações são impregnadas por aquilo que o contemporâneo Yung denominou de inconsciente coletivo. Tudo o que fica registrado por nossos pensamentos, palavras e ações. Por ex.: sabemos que há miséria, mas fingimos que ela não existe e não tomamos conhecimento dela.

Mas surgem ao longo do tempo alguns D. Quixotes.

La Mancha ou Castela é uma região do centro da Espanha onde teria vivido nosso herói. Até hoje é lembrada por moinhos de vento, olivais e vinhas. Tive a felicidade de viajar por esses caminhos e ver essas terras, verdes, como as daqui, só que cobertas com soja e canaviais.

Ainda existem castelos e vilas remanescentes dessa época.

Disse comentarista do romance: ”Essa obra desperta na gente o que o ser humano tem de melhor”.

Essa história foi resumida pelo também reconhecido Valcir Carrasco. Influenciado desde pequeno pela família, adorava a leitura e foi um dos livros ganhos do pai.

Assim ele inicia essa deliciosa leitura: "Num lugar qualquer de La Mancha, certo final de tarde, quando o sol quase se escondia por trás dos morros, um cavaleiro teve uma visão assustadora".

Abriu seus canais imaginários e recebeu instruções do mundo espiritual.. Foi uma forte intuição para desenvolver ações de caridade.

Para ele foi muito fácil.

Não tinha apegos., Possuía apenas uma casa, um pedaço de terra e um cavalo magricela. Suas refeições eram triviais. A maior parte de seu tempo dedicava-se à leitura sobre a vida de cavaleiros andantes. Através da revelação recebida, passou a sonhar com duelos, encantamentos e princesas.

A fantasia tornou-se realidade.

Tomou a decisão de partir para o mundo. Consegui investir-se cavaleiro e convencer o vizinho Sancho Pança a seguilo, com a promessa que ao final de tantas lutas lhe daria uma ilha pra ser o governador.

Esse coitado, também tinha a cabeça fraca e aceitou participar de suas fantasiosas conquistas..

Os moinhos de vento.

Transformavam-se em gigantes ferozes a serem combatidos, assim como bacia de um barbeiro era surrupiada por D. Quixote para ser usada como elmo encantado. Simples hospedarias-te.

Transformavam-se em castelos encantados. Muitas vezes ficavam muito feridos ao enfrentar pessoas provocadas nos supostos combates. Demoravam pra se recuperar pois a maior parte do tempo, enfrentavam a fome. Essa sim, era verdadeira e companheira constante.

Teve também um grande amor.

Uma camponesa a quem nunca conheceu mas foi transformada em dona de seu coração e por quem dedicou suas lutas e amor por toda a vida.

Sempre se envolveu em aventuras, até muito perigosas, todas parte do seu ideal de defender os injustiçados.

Ao final da vida, reconheceu suas loucuras e o mundo de fantasias. Morreu rodeado pelos amigos que lhe queriam bem.

Será que o mundo em que vivemos mudou muito com relação a miséria de uma grande parte da humanidade?

Temos muitos D. Quixotes idealistas lutando para reverter essa situação? Eu conheço algumas, mas femininas. Usam também elmos encantados para defender principalmente mulheres e crianças em situação de risco.

Vamos chamar Sancho Pança para contribuir com efetivas políticas públicas e o dinheiro arrecadado deixe de ser utilizado em farras desnecessárias?

COLUNISTA - Elda Jabur
Elda Jabur
é professora de História formada peLa Unesp de Assis. Trabalhou no Sesi e no Estado até aposentar-se. Há muito tempo dedica-se a escrever para jornais, faz óleo sobre tela e pertence à Ordem Rosacruz - AMORC há mais de 30 anos. Reside na Cidade de Cândido Mota/SP.
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